domingo, 12 de fevereiro de 2012

poema 11


Antes de ti

em mares estranhos

naveguei,

cruzei oceanos

delicados

nos quais não amei;

transbordei as naus

voláteis

de destroços esquecidos,

ancorei-me à deriva

em portos desertos

buscando beijos

perdidos.







Antes de ti

nas vagas insanas de alguém

eu me perdi,

mergulhei o dorso

em perfumes raros

e em cristais de carne me esqueci;

embebedei-me sem paixão

por curvas frágeis

sem idade,

e ao fado

me abandonei

de viver sem saudade.

Mas foi contigo

que nas malhas do desejo

naufraguei,

afundei-me no musgo

intenso

dum sexo que amei;

subi degraus

dedilhando

o mapa do teu porto,

e sorvi a espuma

que em ti rebentava,

qual refúgio etéreo esse teu corpo!

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