domingo, 12 de fevereiro de 2012

poema 14


Tenho os braços abertos

como Cristo na cruz morreu.

Escuto as palavras do vento:

há um milagre que se me deu!





No ar esvoaço-me agora —

asas plúmbeas que não são minhas.

De Cristo herdei o tronco

na ânsia que para mim vinhas.





Ah! como errei de todo!

Maldita sina que me enganas.

Vazio — agora eu me arrasto

na memória que em mim emanas.





Desci à terra feito arcanjo

e o demónio se me venceu.

A ti — Cristo, — eu implorei

a força que se me perdeu.





Mas foi a fúria que simplesmente ouvi:

imenso trovão que se estilhaçou!

Não tinha eu poder tão grande

como aquele que me cegou.





Peregrino agora na solidão,

neste vasto corpo que se arrasta.

Mas é o amor que me sustenta —

essa sombra que a meu lado se alastra!

Ah! que o fado me protega!

Asas? Já não as sinto,

imenso vazio que se abisma —

entre mim e Cristo:

Deus sabe que não minto,



desde que terreno me sinto!

Sem comentários:

Enviar um comentário