Vieste a voar no vento
na ereção alada
das tuas asas,
e nada mais era
senão o meu lamento,
o imenso mar
que abraçavas.
Vieste coberta de abraços
numa apetência histérica
de animal,
e de corpo nu em riste
amei teus braços
onde nenhuma boca
tem sabor igual.
Vieste bem rente junto à terra,
de seios nus
a voarem enlaçados,
e na carne branca
aveludada de teu ventre,
meus dedos ficarem
em ti poisados.
Vieste a cantar num riso mudo
onde jaz o arfar
desta farsa,
e na calma
que me prende a tudo,
em ti me deixo
cair em graça.
Vens de um sonho...
que me despedaça.
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