domingo, 12 de fevereiro de 2012

poema 5


Hoje a lua despiu-se

para nós,

naquela confusão

esmagadora

de desejo,

que nos arranca

da alma bem funda,

uma esperança

quase imunda

que nos possui eternamente

em segundos de delinquente.





E hoje em ti

pensei,

qual vaga imensa

de um sonho quente,

antevendo a lua,

nua,

reflectida nos teus olhos,

nos teus lábios,

ao ardor da tua boca,

imensa num sorriso

são,

a que hoje recordo,

numa glória vã,

o desespero

de quem espera

e não se importa,

de alcançar a esperança

dessa mesma espera que,

tardia,

enlouquece.





E hoje por ti

morri,

abandonado

crucificado no mundo,

no desleixo insano

de quem não se rala,

ou, importa,

não se mostra como é

ou, não.

Digo agora adeus ao mundo,

a ti,

a mim,

a quem esqueci,

a quem não recordo

e me iludo

de ter gostado,

sem a prova de um beijo

sequer,

importunando-me

em demasia,

o desgosto que,

em mim,

fundo se enterra

e a quem mais ninguém

importa, ou, interessa,

porque já não é

necessária

essa imensa pressa que,

para mim,

se abisma ao fim.

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