Hoje a lua despiu-se
para nós,
naquela confusão
esmagadora
de desejo,
que nos arranca
da alma bem funda,
uma esperança
quase imunda
que nos possui eternamente
em segundos de delinquente.
E hoje em ti
pensei,
qual vaga imensa
de um sonho quente,
antevendo a lua,
nua,
reflectida nos teus olhos,
nos teus lábios,
ao ardor da tua boca,
imensa num sorriso
são,
a que hoje recordo,
numa glória vã,
o desespero
de quem espera
e não se importa,
de alcançar a esperança
dessa mesma espera que,
tardia,
enlouquece.
E hoje por ti
morri,
abandonado
crucificado no mundo,
no desleixo insano
de quem não se rala,
ou, importa,
não se mostra como é
ou, não.
Digo agora adeus ao mundo,
a ti,
a mim,
a quem esqueci,
a quem não recordo
e me iludo
de ter gostado,
sem a prova de um beijo
sequer,
importunando-me
em demasia,
o desgosto que,
em mim,
fundo se enterra
e a quem mais ninguém
importa, ou, interessa,
porque já não é
necessária
essa imensa pressa que,
para mim,
se abisma ao fim.
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