domingo, 12 de fevereiro de 2012

poema 3


Ao longe se aglomeram,

em torno

da alva que se apressa,

ostensivas sombras

que deslizam,

nessa imensa pressa

que arrasta

e estilhaça

para o rosto da rua,

os cadáveres

que de insónias

galopantes,

foram, então,

amantes

e, agora,

que pouco a pouco se vai embora,

arrogantes

e sem demoras,

olvidando o incerto

do presente,

que é mais trabalho

e que deveras

sente

e não mente,

num corpo que foi amado

e, agora,

descansado,

é um possesso para o trabalho,

imenso

em valia,

mas, traído,

em pelo menos,

em tudo quanto fazia

e lhe era dado

a entender,

que mal nenhum havia.

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