Outrora, quando as noites
frias me acolhiam,
empedernido
num lugar qualquer,
onde o clamor estridente
que se sente
quando já não se é gente,
me irrompia
espinha acima,
desejava despedaçar-me,
sozinho,
violentamente,
num conforto tenro de desleixo,
ansiando,
desejando,
não sei bem porquê
ter-te aqui, junta de mim,
apertando-me a carne
contra a tua carne.
Outrora, era sempre
assim,
os braços abruptamente abertos,
esperando-te,
desejando o vácuo,
algures,
lá em baixo, esperando-me.
Outrora, as mesmas banais
ansiedades, já tão sem idade,
adormecidas
num mesmo desconforto
desgostoso.
Outrora, outrora eu pensava
em ti,
e em ti eu me espezinhava,
na violenta cruz
que me era sagrada,
mas não amada.
Outrora, eu amava e tinha ódio de mim, mas,
nem por isso
dei o salto
para o fim, porque,
afinal,
nada tinha interesse para mim.
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