quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

poema 1


Outrora, quando as noites

frias me acolhiam,

empedernido

num lugar qualquer,

onde o clamor estridente

que se sente

quando já não se é gente,

me irrompia

espinha acima,

desejava despedaçar-me,

sozinho,

violentamente,

num conforto tenro de desleixo,

ansiando,

desejando,

não sei bem porquê

ter-te aqui, junta de mim,

apertando-me a carne

contra a tua carne.

Outrora, era sempre

assim,

os braços abruptamente abertos,

esperando-te,

desejando o vácuo,

algures,

lá em baixo, esperando-me.

Outrora, as mesmas banais

ansiedades, já tão sem idade,

adormecidas

num mesmo desconforto

desgostoso.

Outrora, outrora eu pensava

em ti,

e em ti eu me espezinhava,

na violenta cruz

que me era sagrada,

mas não amada.

Outrora, eu amava e tinha ódio de mim, mas,

nem por isso

dei o salto

para o fim, porque,

afinal,

nada tinha interesse para mim.

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